domingo, 1 de maio de 2016

Reza


Naquela passagem um oratório
Um Deus, um Anjo, um momento
Joelhos na terra vermelha
Uma cerca de arame farpado e mourões
Formando um quadro de imensa dimensão
Teus dedos e tuas mãos postas
Na cabeça uma reza e um refrão...
Essa é a imaginação
De quem observa
Quem reza
Dispõe-se
A ser devoto
No adro
A manifestação
Ao redor o que se pede
Silêncio e compreensão
Nada é perdido
Nada foi em vão

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Lirismo



Adormecendo nos teus versos,
asas para pousar nos teus sonhos,
fazer ninar.
E frondosa é a árvore nos teus galhos serelepes,
ao vento se movimentam alegremente,
crianças sobem no seu troco, avistam folhas,
além delas conseguem ver a pracinha.
E é fruto repleto os galhos, é de manga, abacate.
E são crianças frutificando atitudes, respeitando a natureza,
escolhendo apenas as maduras.
Com cuidado jogam-nas em um saco de linhagem, não se machucam as frutas.
É outono, ainda dão-se mangas, é em produção especial já que é tempo de abacateiros.
Adormeço em cada atitude dos versos, pousando em galhos robustos,
apalpando as folhas livres distribuindo cheiros dos frutos.
Serei também criança no meio dos arbustos vendo entre as folhas a praça.
Deitarei no galho mais alto que resista à minha vida carregada de arguta atitude,
do peso da vivencia.
Quem não conhece troncos e galhos não conhece a natureza.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Sensações


Talvez nem chova e eu tenha que amanhecer
Largar o silêncio
Ter que ir ao vento e a luz acontecer
Ficar escondido na noite seca
Preferiria uma chuva fina
Goteiras do telhado marcam meus passos sonhadores
É uma reunião de sabores
De imagens e odores
E sorrio sozinho ao ouvir o grilo distribuindo som...
Ainda em outra noite vi um raro pirilampo passar pela janela com sua luz esperançosa
E eu tenho que partir a minha alma e ir para a aurora
Degustar o café, saber que tenho a fé a me guiar
Barulhos de carros, burburinhos...
Bom ouvir na madrugada o latido de um cachorro ao longe
A coruja piando na cerca
Os versos rondando a alma
E tenho alma e sou dois
Sem ela não sou nenhum...
Rezar para suportar o dia com a alegria da luz do sol
Torcer para a tarde ligeira me ascender
Talvez nem chova e eu quero anoitecer
Ouvir o sino da Igreja
Ver a luz da lua
Acontecer
Emmanuel Almeida

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Refazendo-me



E na ponta da língua sabores
No meio da língua o que chega depois...
Como o amargo que é o ultimo
E me sento depois
Analisando esses sabores que trago comigo
O doce sabor de uma manhã de domingo
Mel na mesa, torrada e café
O amargo de uma segunda-feira
Encarar o amargo do café corrido da manhã...
São velhos os versos ou velho é o escrevinhador
Admitir isso é quase um suicídio, quase desamor
E doces são esses olhares da mariposa
Pousam em enormes flores, contornam galhos
Borboletas são mais vaidosas pousam nas flores primaveris
As pequenas e doces suculentas flores...
E eu quase perdi a emoção, Mariana
Teus lugares, tuas filhas de pequenos lugares
Que dor é essa
Quase uma filha vivendo as dores desse mundo
Deus abençoa a todos nesse caminho de lama
Grudada na pele de quem vive, sobrevive
E ama
Oh, Mariana


Emmanuel Almeida

terça-feira, 13 de outubro de 2015

de todas as horas



...e de poemas vive esse homem,
nas horas vagas ele trabalha e vive do seu trabalho,
cerebral viver e há essa necessidade de escrever,
ou descrever,
ser o bem e o mal,
ser a luz e a escuridão,
ser a folha e o galho,
ser o entendimento,
a negação do tempo em questão,
ou o perdão.

Emmanuel Almeida