terça-feira, 13 de outubro de 2015

de todas as horas



...e de poemas vive esse homem,
nas horas vagas ele trabalha e vive do seu trabalho,
cerebral viver e há essa necessidade de escrever,
ou descrever,
ser o bem e o mal,
ser a luz e a escuridão,
ser a folha e o galho,
ser o entendimento,
a negação do tempo em questão,
ou o perdão.

Emmanuel Almeida

O que pende do peito



Luzeiro, luzerna
No final da tarde
Início da noite
Singela
Efluindo quebradas lascas de luz
E no fundo da alma
Algo se manifesta
Silencia o dia
Crepita o solitário grilo
Incitando a calma
O desejo de ser mais que a noite
Que ao longe
Reluz

Emmanuel Almeida

Indolor

E ele chegou tão diferente
Tão tardio
Tão a tempo
Surpreendente como asas coloridas das borboletas
Tão arisco como as asas de um beija-flor
E saiu da mata de um distante interior
Bateu em minha janela
E é o amor
Aquele que fez tremer minha base
Pernas e boca
Olhos e coração
E foi na batida descompassada a medida
Não seria de outra forma
Chegou o amor
Tão tardio como eterno
Tão abrasador quanto manso
Este é o meu amor



Emmanuel Almeida