quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Sensações


Talvez nem chova e eu tenha que amanhecer
Largar o silêncio
Ter que ir ao vento e a luz acontecer
Ficar escondido na noite seca
Preferiria uma chuva fina
Goteiras do telhado marcam meus passos sonhadores
É uma reunião de sabores
De imagens e odores
E sorrio sozinho ao ouvir o grilo distribuindo som...
Ainda em outra noite vi um raro pirilampo passar pela janela com sua luz esperançosa
E eu tenho que partir a minha alma e ir para a aurora
Degustar o café, saber que tenho a fé a me guiar
Barulhos de carros, burburinhos...
Bom ouvir na madrugada o latido de um cachorro ao longe
A coruja piando na cerca
Os versos rondando a alma
E tenho alma e sou dois
Sem ela não sou nenhum...
Rezar para suportar o dia com a alegria da luz do sol
Torcer para a tarde ligeira me ascender
Talvez nem chova e eu quero anoitecer
Ouvir o sino da Igreja
Ver a luz da lua
Acontecer
Emmanuel Almeida

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Refazendo-me



E na ponta da língua sabores
No meio da língua o que chega depois...
Como o amargo que é o ultimo
E me sento depois
Analisando esses sabores que trago comigo
O doce sabor de uma manhã de domingo
Mel na mesa, torrada e café
O amargo de uma segunda-feira
Encarar o amargo do café corrido da manhã...
São velhos os versos ou velho é o escrevinhador
Admitir isso é quase um suicídio, quase desamor
E doces são esses olhares da mariposa
Pousam em enormes flores, contornam galhos
Borboletas são mais vaidosas pousam nas flores primaveris
As pequenas e doces suculentas flores...
E eu quase perdi a emoção, Mariana
Teus lugares, tuas filhas de pequenos lugares
Que dor é essa
Quase uma filha vivendo as dores desse mundo
Deus abençoa a todos nesse caminho de lama
Grudada na pele de quem vive, sobrevive
E ama
Oh, Mariana


Emmanuel Almeida

terça-feira, 13 de outubro de 2015

de todas as horas



...e de poemas vive esse homem,
nas horas vagas ele trabalha e vive do seu trabalho,
cerebral viver e há essa necessidade de escrever,
ou descrever,
ser o bem e o mal,
ser a luz e a escuridão,
ser a folha e o galho,
ser o entendimento,
a negação do tempo em questão,
ou o perdão.

Emmanuel Almeida

O que pende do peito



Luzeiro, luzerna
No final da tarde
Início da noite
Singela
Efluindo quebradas lascas de luz
E no fundo da alma
Algo se manifesta
Silencia o dia
Crepita o solitário grilo
Incitando a calma
O desejo de ser mais que a noite
Que ao longe
Reluz

Emmanuel Almeida

Indolor

E ele chegou tão diferente
Tão tardio
Tão a tempo
Surpreendente como asas coloridas das borboletas
Tão arisco como as asas de um beija-flor
E saiu da mata de um distante interior
Bateu em minha janela
E é o amor
Aquele que fez tremer minha base
Pernas e boca
Olhos e coração
E foi na batida descompassada a medida
Não seria de outra forma
Chegou o amor
Tão tardio como eterno
Tão abrasador quanto manso
Este é o meu amor



Emmanuel Almeida