quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Refazendo-me



E na ponta da língua sabores
No meio da língua o que chega depois...
Como o amargo que é o ultimo
E me sento depois
Analisando esses sabores que trago comigo
O doce sabor de uma manhã de domingo
Mel na mesa, torrada e café
O amargo de uma segunda-feira
Encarar o amargo do café corrido da manhã...
São velhos os versos ou velho é o escrevinhador
Admitir isso é quase um suicídio, quase desamor
E doces são esses olhares da mariposa
Pousam em enormes flores, contornam galhos
Borboletas são mais vaidosas pousam nas flores primaveris
As pequenas e doces suculentas flores...
E eu quase perdi a emoção, Mariana
Teus lugares, tuas filhas de pequenos lugares
Que dor é essa
Quase uma filha vivendo as dores desse mundo
Deus abençoa a todos nesse caminho de lama
Grudada na pele de quem vive, sobrevive
E ama
Oh, Mariana


Emmanuel Almeida

terça-feira, 13 de outubro de 2015

de todas as horas



...e de poemas vive esse homem,
nas horas vagas ele trabalha e vive do seu trabalho,
cerebral viver e há essa necessidade de escrever,
ou descrever,
ser o bem e o mal,
ser a luz e a escuridão,
ser a folha e o galho,
ser o entendimento,
a negação do tempo em questão,
ou o perdão.

Emmanuel Almeida

O que pende do peito



Luzeiro, luzerna
No final da tarde
Início da noite
Singela
Efluindo quebradas lascas de luz
E no fundo da alma
Algo se manifesta
Silencia o dia
Crepita o solitário grilo
Incitando a calma
O desejo de ser mais que a noite
Que ao longe
Reluz

Emmanuel Almeida

Indolor

E ele chegou tão diferente
Tão tardio
Tão a tempo
Surpreendente como asas coloridas das borboletas
Tão arisco como as asas de um beija-flor
E saiu da mata de um distante interior
Bateu em minha janela
E é o amor
Aquele que fez tremer minha base
Pernas e boca
Olhos e coração
E foi na batida descompassada a medida
Não seria de outra forma
Chegou o amor
Tão tardio como eterno
Tão abrasador quanto manso
Este é o meu amor



Emmanuel Almeida

quarta-feira, 4 de março de 2015

Um grão de tempo


Fala-se tanto das estrelas cadentes ou não,
falam-se tanto desses novos planetas, novas invenções
Dois sóis duas uniões
As minhas e as tuas visões
Mentes terrestres e olhar extraterrestre
E minha alma voa, vaga por essa via láctea de tanta paz e silenciosa equação
Entre a velocidade da luz e o que nos seduz...
O que me consola é que o arrebol no outono é sempre um convite à reflexão
Não há arrebol assim, repleto de nós e de todos os sins
Esperando a brisa fria do amanhecer indicando um novo dia com o dourado do sol
E se não há terra para os pés há céu para asas...
E se tudo está ali, logo ali na linha do horizonte
Espero que eu possa chegar lá, sentir o olor da natureza
O barulho da cachoeira
Os meus passos marcando lugar
E esse planeta é o que tenho para receber todas essas mensagens ...
Saudade de quem me alimentou e me sorriu
De quem me sorriu e me indicou o caminho
Segurou minha mão e caminhou rua acima
Disse-me que:
Agora é contigo, minha vida...
E o céu sabe do que digo
E as estrelas me olham com pesar
Sou grão de tempo num tempo pequeno
A me mostrar



Emmanuel Almeida